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A quarta edição da revista eletrônica Educação em Linha, da Secretaria Estadual de Educação, traz um artigo interessante do Coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indígenas da UERJ, José Ribamar Bessa, para compreendermos traços da nossa cultura. Afinal, se não tivermos o conhecimento correto da história dos índios não entenderemos o Brasil Contemporâneo. O Portal Conexão Aluno fez uma seleção para você. Puxe a cadeira e boa leitura!

PRIMEIRO EQUÍVOCO: O ÍNDIO GENÉRICO

A maioria das pessoas imagina que os índios têm uma única cultura, que compartilham das mesmas crenças e língua. Esse pensamento não é verdadeiro. Se fosse, os índios TUKANO, DESANA, MUNDURUKU, WAIMIRI-ATROARI deixariam de ser eles mesmos para se transformarem no “índio genérico”. Cada povo tem língua, religião, arte e ciência próprias.

Hoje, vivem no Brasil mais de 200 etnias, que falam mais de 180 línguas, com grau de comunicação variável. A diferença que pode existir, por exemplo, entre a língua macuxi e a ingaricó (ambas do tronco linguístico karib) é comparável às diferenças entre o português e o espanhol. Mas quando as línguas são de troncos diferentes, a comunicação fica bem mais difícil. Como se conversassem um alemão e um brasileiro. Complicado...


SEGUNDO EQUÍVOCO: CULTURAS ATRASADAS

Quem considera as culturas indígenas como atrasadas e primitivas esquece que os índios produziram saberes, literatura, poesia, religião etc. As línguas indígenas foram consideradas pelos colonizadores como inferiores. Ora, todo linguista afirma que qualquer língua é capaz de transmitir qualquer ideia e sentimento. Isso significa dizer que não existe língua melhor que a outra. O que existe é a confusão entre a língua e o seu falante, que nas estruturas sociais podem ocupar posições mais ou menos privilegiadas.

As religiões eram consideradas apenas conjuntos de superstições. Basta entrar em contato com a cultura indígena para saber que esta opinião é preconceituosa e etnocêntrica, ou seja, que leva em consideração e se baseia apenas na cultura e nos valores de quem está observando os ritos religiosos. Os índios Guarani Mbyá, que têm aldeias em Angra dos Reis e Paraty, são considerados os “teólogos da floresta”. A religião é um dos traços mais marcantes dessa tribo.

As ciências indígenas também já foram tratadas de maneira preconceituosa. Os conhecimentos dos índios já foram desprezados como se fossem a negação da ciência e da objetividade. O antropólogo Darrel Posey explicou que existem índios especializados em solos, plantas, remédios, rituais etc.

A literatura também foi menosprezada. Os diferentes povos produziram uma literatura sofisticada, que foi menosprezada porque as línguas eram ágrafas, ou seja, sem escrita. Ela foi passada de geração a geração através da tradição oral. Mas, a partir do século passado, vários estudiosos recolheram no Pará e no Amazonas literatura oral de qualidade. Um deles foi o General Couto de Magalhães. Curioso, ele aprendeu a língua nheengatu só para conhecer as histórias dos índios. Por isso, certa vez ele comentou: “um povo que ensina que a inteligência vence a força é um povo altamente civilizado, é um povo altamente sofisticado”.


TERCEIRO EQUÍVOCO: CULTURAS CONGELADAS

A maioria dos brasileiros criou a imagem de como deveria ser o índio: nu ou de tanga, no meio da floresta, de arco e flecha. Aquele que foi descrito por Pero Vaz de Caminha. Essa imagem foi congelada até os dias de hoje. Quando o índio não se enquadra nessa imagem a reação das pessoas é dizer: “ah, ele não é mais índio!”.

Com isso cria-se uma nova categoria, a dos ex-índios. Aquele que usa calça jeans e fala português. Mas a calça jeans, tão usada no Brasil, não foi inventada por um brasileiro! Assim como a tecnologia do telefone e do computador também não. E nem por isso a sociedade consumidora desses produtos deixa de ser brasileira...

Se o índio fizer o mesmo, ele deixa de ser índio? Por quê? Isso mostra que não concedemos à cultura indígena aquilo que queremos para a nossa: entrar em contato com outras culturas e, consequentemente, mudar.


QUARTO EQUÍVOCO: ÍNDIOS FAZEM PARTE DO PASSADO

Existe um texto sobre a biodiversidade, escrito em 1997, do ponto de vista de um índio, que Jorge Terena escreveu: sobre as consequências graves do colonialismo. O grande problema está em taxar a cultura indígena de primitiva.

“Eles veem a tradição viva como primitiva porque não segue o paradigma ocidental. Tudo aquilo que não é do âmbito do ocidente é considerado do passado, desenvolvendo uma noção equivocada em relação aos povos tradicionais, sobre o seu espaço na história.”

Os índios estão encravados no nosso passado, mas podem interagir bem com o Brasil moderno. O país sem a riqueza da cultura indígena ficaria pobre, feio, muito feio.


QUINTO EQUÍVOCO: O BRASILEIRO NÃO É ÍNDIO

Outro grande erro do brasileiro é não considerar a existência do índio na formação da sua identidade. O povo brasileiro foi formado nos últimos cinco séculos com a contribuição das matrizes:

1 - Européias: representadas pelos portugueses, espanhóis, franceses, italianos, alemães, poloneses etc.

2 - Africanas: representadas pelos sudaneses, yorubás, nagôs, gegês, ewes, haussá, bantos etc.

3 - Indígenas: representadas pelas famílias linguísticas como o tupi, o karib, o aruak, o jê etc.

A tendência do brasileiro é se identificar com o vencedor, ou seja, a matriz europeia. E deixar de lado as influências africanas e indígenas. O índio permanece vivo em cada um de nós, mesmo que não saibamos disso. É uma questão cultural. Quando aquele descendente de alemão lá de Santa Catarina, louro, de olhos azuis, começa a rir, do que ele vai rir? Do que vai sentir medo? Com quem ele sonha?Ao fazer suas opções de culinária, música, dança e poesia, quais são os seus critérios de seleção? É aí que afloram as heranças culturais, incluindo a indígena e a negra.

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